Democracia de brasileiro
A democracia brasileira é uma criatura curiosa: acorda cedo para dizer que todos são iguais, mas escolhe a roupa conforme a visita. De manhã, veste toga, fala em Constituição e jura imparcialidade. À tarde, troca para um terno bem cortado. É claro que é um corte feito sob medida. Começa, então, a ajustar as regras do jogo com a delicadeza de quem nunca perde.
Há cidadãos que descobrem, com certo atraso, que a lei é como fila de banco: alguns esperam horas, outros entram pela porta lateral com um “com licença” que ninguém ousa negar. E, claro, há os que nem chegam a ver a fila, pois já estão lá dentro, tomando café.
O curioso é que todos defendem a democracia com fervor. Uns defendem para que ela funcione; outros, para que continue funcionando exatamente como está. No discurso, igualdade. Na prática, uma balança que pesa mais quando o prato já vem carregado.
E assim seguimos: votando, opinando, acreditando. Porque, no Brasil, a democracia não é apenas um sistema, é um espetáculo. E, como todo bom espetáculo, o público aplaude… mesmo quando desconfia que o truque já estava combinado desde o início.
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