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Alexandre Modena

O arquiteto de nuvens

Obra de: Alexandre Modena
Poesias - Desilusão Livre

Ele empilha tijolos de vento e argamassa de saudade,

Desenha varandas voltadas para o sol dela,

E ergue, entre o café e a lida, uma cidade

Onde o rei é cativo e a rainha é uma tela.

Acredita-se só em sua febre, num deserto de afeição,

Pois olha o rosto dela e só enxerga a distância,

Como se o peito dela fosse pedra, e não pulsação,

Guardando para si toda a sua vã arrogância.

O castelo dele flutua, sem chão e sem porta, Alimentado pelo medo de ouvir um “não”. Enquanto isso, ela caminha no mesmo compasso,

Carregando o peso de um segredo que a consome.

Ela molda o vazio, dá contorno ao cansaço,

E escreve nas águas o som daquele nome.

Pensa que ele é gelo, que vive em outro plano,

Onde não há espaço para o seu toque ou seu rastro;

E mergulha, solene, no próprio engano,

Navegando um mar sem bússola e sem mastro.

O castelo dela é de bruma, de sombra e de espera, Pintado com as cores de uma falsa primavera. Cruzam-se as pontes levadiças no azul do firmamento,

Duas torres altivas que o orgulho sustenta no ar.

Estão tão próximos, unidos pelo mesmo tormento,

Mas morrem de sede com medo de transbordar.

Ela chora o desdém que ele nunca sentiu;

Ele teme o vazio que ela não possui.

E o amor, que entre os dois nunca se partiu,

É o rio que passa, mas que nenhum dos dois flui.

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Média: 5.0 | 1 avaliações

Críticas dos Leitores

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Rute dos Santos Silva
Por que será que temos essa tendência masoquista de amar a quem não nos ama? Será porque é algo que não podemos ter? Ou será apenas uma forma de masoquismo na qual achamos que merecemos bem menos do que aquilo que realmente podemos ter? Excelente poema e uma bela reflexão.
Publicado em 14/04/2026