Por Alexandre Modena
Não por orgulho, não por fraqueza, não por desistência. Mas porque há limites que, se cruzados, não ferem apenas o outro: ferem o que em nós ainda é digno, ainda é leve.
Há portas que não se abrem para a palavra, há braços que não se estendem para o gesto, há almas que, embora pareçam chamar, nunca quiseram de verdade acolher. E, então, aprender a partir é também uma delicadeza: delicadeza com o próprio peito, com a própria esperança, com o próprio silêncio. Ir embora, às vezes, é salvar o que em nós ainda crê — na ternura, no encontro, na construção de algo que seja recíproco, ainda que simples, ainda que raro. Não há beleza em insistir onde o chão não floresce. Há beleza, sim, em recolher as sementes e guardá-las para outros campos,
para outros tempos, para outras primaveras.
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